terça-feira, 27 de abril de 2010
O ICMBio formenta e executa pesquisas e programas de conservação de espécies, em particular daquelas ameaçadas de extinção e que precisam ser conservadas. Um exemplo é o Programa Gestão do Conhecimento que apóia a realização de pesquisa sobre as unidades de conservação e a biodiversidade em parceria com a comunidade científica.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Conhecer para encantar-se.
A rica biodiversidade, as paisagens de rara beleza e a cultura das populações tradicionais são tão exuberantes que as impressões captadas pelos sentidos ficam para sempre guardadas na memória. Uma visita a uma unidade de conservação é um momento de interação com a natureza e uma boa oportunidade para atividades recreativas, de interpretação ambiental, esportivas e também culturais. As pessoas procuram essas áreas naturais para a prática de mergulho, caminhada, escalada, vôo livre, ciclismo, convivência com populações tradicionais ou apenas contemplação. Uma unidade de conservação tem ainda o potencial de impulsionar o desenvolvimento regional, incrementando a economia, gerando oportunidades de emprego e de valorização da cultura local. O ICMBio cuida de 64 Parques Nacionais, sendo 18 deles abertos ao público. Juntos, eles recebem cerca de três milhões de visitantes anualmente. Para aumentar a visitação nossas unidades precisam ser mais bem conhecidas. Umas das prioridades do ICMBio é a abertura e estruturação de todos os parques para que brasileiros e estrangeiros se encantem cada vez mais por suas belezas. O Instituto pretende incrementar o número de concessões nas unidades, por meio da parceria público-privada. O ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério do Turismo e a Embratur, dinamizarão ainda mais esse processo. O ICMBio trabalha para promover o encontro da vida silvestre com cada um que visita nossas unidades. Todos estão convidados! Além dos Parques Nacionais, outras categorias de unidade de conservação também permitem a visitação pública. Nas unidades relacionadas com populações tradicionais, busca-se desenvolver programas de ecoturismo de base comunitária, combinando o contato com a natureza com a experiência de conhecer o modo de vida das comunidades.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A força está na diversidade.
As unidades de conservação dividem-se em dois grupos:as de proteção integral e as de uso sustentável. De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, nas unidades de conservação de proteção integral são permitidas atividades que conciliem o uso indireto dos recursos naturais com sua proteção. Divididas em cinco categorias de manejo, as unidades de proteção integral são Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional, Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre. Atividades de educação e de interpretação ambiental, estudos e pesquisas científicas, estão previstos e devem ser incentivados em todas as categorias de manejo. Os Parques Nacionais, caracterizados como áreas de grande beleza cênica, são espaços privilegiados para a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico. Em outras categorias, como as Reservas Biológicas e as Estações Ecológicas, a visitação é permitida, desde que associada a objetivos educacionais. As unidades de conservação de uso sustentável caracterizam-se pela busca da compatibilização da conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Esse grupo é composto pelas categorias denominadas Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural. As Reservas Extrativistas e as Reservas de Desenvolvimento Sustentável envolvem a presença de populações tradicionais e objetivam, além de assegurar o uso sustentável dos recursos naturais, proteger os meios de vida e a cultura dessas populações. Existem atualmente 57 unidades nessas categorias que, apóiam mais de 46 mil famílias. Nas Florestas Nacionais, busca-se desenvolver método para a exploração sustentável. Tais licitações públicas, conhecidas como concessões florestais, são competência do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Serviço Florestal Brasileiro. As Áreas de Proteção Ambiental, por sua vez, em geral, são áreas extensas que envolvem terras públicas e privadas e visam, principalmente, a assegurar a sustentabilidade ambiental de um território pelo ordenamento da ocupação e das atividades ali desenvolvidas. A participação da iniciativa privada no esforço nacional de conservação está caracterizada nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural, que são áreas privadas, gravadas com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Institucional.
O Brasil é conhecido mudialmente por sua biodiversidade, que reúne entre 15% e 20% de todas as espécies do planeta. Essas espécies têm grande importância para a sociedade, apresentando uma grande diversidade de usos e potencial para o desenvolvimento de produtos úteis. Parte significativa dela, entretanto, está ameaçada de extinção. As principais estratégias de proteção e de manutenção dessa riqueza para as atuais e as futuras gerações são a criação de unidades de conservação, a implantação de programas de conservação e de manejo, o uso sustentável das espécies e a realização de pesquisas aplicadas à conservação. Essas unidades têm como características principais a expressiva biodiversidade e a importância na manutenção de serviços ambientais, além de apresentarem grande beleza cênica. Até 2008, havia 300 unidades de conservação federais instituídas legalmente, as quais representavam mais de 77 milhões de hectares, o equivalente a cerca de 8,2% do território nacional. Os muitos e complexos desafios para a gestão dessas áreas levaram o governo federal a criar, em 2007, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Entre as atribuições do ICMBio está a de executar ações da política nacional de unidades de conservação federais da natureza, fomentando e executando programas de pesquisa, proteção, preservação, conservação da biodiversidade e de educação ambiental por meio das unidades de conservação e centros de pesquisa e conservação. Outras atribuições são propor, implantar, gerir, proteger e fiscalizar as unidades de conservação, bem como implantar as políticas relativas ao uso sustentável dos recursos naturais renováveis, apoiando o extrativismo e as populações tradicionais nas unidades criadas. O Instituto exerce o poder de polícia ambiental na proteção desses ecossistemas. Ele promove e executa, em articulação com os demais órgãos e entidades envolvidos, programas recreacionais de uso público e de ecoturismo nas unidades de conservação nas quais tais atividades são permitidas.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Instrumentos Musicais Preferenciais: O Violino Caiçara.
A introdução de instrumentos musicais europeus entre os nativos, desde a colonização, é fato conhecido da nossa história. Entre os depoimentos que relatam a misicalidade da nossa história. Entre os depoimentos que relatam a musicalidade dos índios do Brasil, é sugestivo o do jesuíta A. Sepp sobre o talento musical dos Guarani de Yapeyu. Parece ter sido notável a versatilidade dos indígenas como artesãos de instrumentos, cantores ou instrumentistas. Os atuais Mbya e Xiripa-Guarani ainda incluem rabel e guitarra em seus repertórios sagrados. Se, no inicio do século XVII, já se construíam nas missões jesuíticas do Sul órgãos, cítaras, clavicórdios e fagotes e se, nessa época, já se cantavam na Colônia peças musicais escritas por mestres europeus e regidas pelo sistema tonal, não será difícil compreendermos a presença de instrumentos como a viola de dez cordas ( de arame, para os portugueses) e sobretudo o violino nos sertões e costeiras do litoral paulista, de Ubatuba a Cananéia. Em São Sebastião e na Ilhabela encontrei, com rabequista caiçaras de praias distantes, violinos de fabricação alemã e italiana. Um deles obtido em barganha com uma espingarda. A organização instrumental que encontrei nos núcleos de produção musical, tanto no perímetro urbano quanto na área rural de Ubatuba, fica assim distribuida: para o repertório sagrado, violino, duas ou mais violas de dez cordas, caixa e pandeiro; para o repertório profano, o mesmo conjunto, além de cavaquinho e violão ( este, mais raro). O acordeão foi registrado uma só vez nos cinco anos de pesquisas, e numa situação atípica, em reunião patrocinada por autoridades locais, de que também participavam músicos de origem mineira e nordestina, para os quais acordeão ou sanfona têm presença obrigatória. Nesse encontro, os músicos caiçaras, discretos, me confidenciaram que a sanfona atrapalhava o ritmo do bate-pé. A natureza ruidosa do acordeão certamente não se ajusta aos volteios e apojaturas minuciosos do violino e não corresponde às expectativas estéticas do ambiente sonoro caiçara. Instrumentos de sopro não fazem parte dos grupos tradicionais, mas flauta transversal e clarineta ( industrializadas ) podem aparecer nos conjuntos urbanos chamados Reis de música, nome que dão aos grupos de Reis ( folias de Reis) tidos como mais sofisticados, em oposição ao que chamam Reis de caixa - segundo os próprios músicos, mais rústicos e antigos, originários ou praticados nos sertões. Ambos atuam no ciclo de Natal, de novembro a janeiro, respectivamente , na cidade e na roça. A viola tem sido, com o pandeiro e a caixa, instrumento indispensável nos encontros musicais. Sem ela não há música coletiva possível. O violeiro solista ( a que chamam versista ) se faz acompanhar do segundo violeiro ( a que chamam segunda ou contador ), que complementa a voz solista a intervalos de terceira ou sexta acima ou abaixo da voz principal. Acompanham-se por acordes rasqueados à guisa de reforço tonal e rítmico, ou por cordas ponteadas, que sublinham a voz principal a intervalos de terceira, sexta ou décima acima da melodia cantada. Algumas vezes o segunda decide contrapontear a linha melódica.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Danças e formas musicais.
Como se disse, as celebrações religiosas desempenham importante papel como depositárias dos repertórios sagrados e como veículos de circulação dos repertórios sagrados e como veículos de circulação dos repertórios profanos. Nos encontros de celebração, após as práticas devocionais, é comum cobrirem ou isolarem ícones e objetos sagrados, para depois seguirem-se bailaricos, transformadores desses encontros em festas, onde, entre outras, se dançam peças profanas como a xiba, a ciranda, a tontinha, a canoa e a marrafa. A esse repertório tradicional podem juntar-se peças e danças urbanas como sambas, modas de viola, baladas e chorinhos; nesse caso, admitem-se novas formações instrumentais. As crescentes transformações na região têm trazido desenvolvimento, mas este inevitavelmente vem associado a um clima de violência. Inaugurou -se o medo em Ubatuba e, com ele, diminuíram os encontros musicais interpraias e interbairros. As pessoas fecham-se em casa. Reuniões entre músicos-instrumentistas, versistas e grupos de dançadores tornam-se cada vez mais raras, o que tem dificultado a prática musical coletiva. A desarticulação entre música cantada e música dançada tem resultado na independência de algumas formas coreográficas como a tontinha, a canoa, a ciranda, a cana-verde e a xiba, que se transferem para o âmbito do repertório puramente vocal-instrumental; assim é possível ouví-las cantadas com acompanhamento ou em versão unicamente instrumental , sem participação de dançadores. Não deixa se ser um modo de sobrevivência dessas danças, que passam a ganhar autonomia como formas musicais. Aliás, como ocorreu na Europa dos séculos XV e XVI, quando certas danças perderam seu uso coreográfico e resultaram em formas camerístico-instrumentais, como a corrente, a sarabanda, a galharda, o minueto e outras, retomadas posteriormente como paradigmas de composição por músicos de diferentes épocas, como Bach e Debussy. O repertório caiçara inclui, portanto, uma dezena de formas originárias de danças, atualmente independentes da coreografia e consolidadas enquanto formas musicais. REPERTÓRIO TRADICIONAL CAIÇARA. A busca das prováveis raízes da música caiçara remete, antes de tudo, às fontes da música portuguesa de tradição oral. Sem uma sondagem nesse campo será difícil entender a criação musical caiçara. O colonizador trouxe consigo práticas que, acomodadas ao novo meio, resultaram num produto musical derivado. Este, embora gerado sob inspiração de matrizes lítero-musicais portuguesas, tinha necessariamente de receber contribuições da nova terra. Aliás, quando se fala em música portuguesa, deve-se entendê-la num sentido amplo: não só a de Portugal continental, mas também a dos arquipélagos dos Açores, Madeira e antigas colônias ultramarinas, incluindo-se, além do Brasil, as da Indonésia, Ásia e África, sem perder de vista ainda os núcleos musicais implantados por emigrantes Ilhéus portugueses, radicados no Canadá e nos Estados Unidos. Deve-se lembrar também que nos séculos passados, tanto as políticas de fixação dos emigrados portugueses ao longo do território brasileiro quanto seus diferentes locais de origem, teriam determinado entre nós usos e estilos musicais diferenciados. Embora pequenos em área, os Portugais do continente e de ultramar abrigam extraordinária variedade de repertórios musicais. Certos traços da música portuguesa não lograram aqui florescer, como por exemplo o uso da gaita de foles ( de largo emprego em várias regiões portuguesas, mas com raras referências no Brasil, das quais se pode lembrar a atual, mas pequena participação em peças do repertório da Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais). Outros traços tiveram continuidade garantida, como o uso dos instrumentos de corda dedilhada ou friccionada, de sopro e de percussão. Herdamos ainda da tradição musical européia filtrada por Portugal a adoção do sistema tonal maior/menor, o mensuralismo, os critérios para afinação de instrumentos, a tendência para os sons rebatidos, as formações instrumentais dos conjuntos alentejanos e trasmontanos, que combinam flautas, palhetas e tambores, modelos esses recorrentes nas nossas versões nordestinas de pífaros com tambores, a que chamam bandas de cabeça ou esquenta-mulher. No litoral sudeste e sul, a presença da cultura açoriana terá marcado o fazer musical das populações praianas. Ainda que reambientada e com novos significados, essa presença surge, por exemplo, nos critérios para organização de conjuntos instrumentais litorâneos ( cavaquinho, pandeiro, viola, rabeca, caixa e ferrinhos); na predileção por sons vocais superagudos ( as nossas tipes, chamadas guinchos em Portugal); na conservação de antigas matrizes do cancioneiro popular português. Enfim, terá havido aparentemente um clima de compatibilidade ( como diria Nettl) favorável à continuidade de modelos musicais trazidos com a colonização ou em períodos de migrações posteriores.
Assinar:
Postagens (Atom)
